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    O Castelo do Flamengo – Centro Oduvaldo Vianna Filho

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    junho 1st, 2010VeraArquitetura, História da Arte

    O pitoresco Castelinho do Flamengo, construção de 1916-18, na esquina da Rua Praia do Flamengo com a Rua Dois de Dezembro, foi projetado para servir de residência ao seu proprietário Joaquim da Silva Cardoso e à sua esposa, D. Carolina.

    A planta foi assinada pelo engenheiro Francisco dos Santos, embora o projeto original tenha sido do arquiteto italiano Gino Copede.

    A Construtora Silva Cardoso, fundada em 1888, era uma das mais prósperas do Rio, e foi responsável por grande parte das edificações das famílias tradicionais da cidade, muitas das quais observando o estilo eclético.

    Em 1983,  o escritor Pedro Nava, então presidente do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural, na gestão do Prefeito Julio Coutinho, aprovou o tombamento do famoso prédio da Praia do Flamengo nº 158.

    Em 1989, iniciou-se sua restauração, realizada pela firma paranaense Aresta Arquitetura e Restauro.

    O Castelinho foi entregue à população em 1992. Disponibiliza uma midiateca com cerca de 750 títulos em seu acervo.

    Conta com um auditório com 40 lugares, 3 pequenas galerias para exposições e 3 salas para debates e oficinas.  Há também computadores para acesso gratuito à Internet.

    Tornou-se recentemente o Centro Carioca de Referência do Humor Gráfico.

    Uma breve história da arquitetura e do estilo da casa

    Edificação eclética, de tendência italiana, mescla elementos de diversos estilos e épocas diferenciadas, tais como o art-nouveau, o barroco, o renascentista e o neo-gótico francês, formando o popular “estilo castelinho”.

    Apresenta acabamento em cantaria, estuque, barrado de azulejaria, telhado de ardósia e rica serralheria.  Profusão de formas geométricas dão um aspecto de dinamismo e  imponência ao Castelinho.

    Possui três pavimentos, acrescidos de terraço coberto e um torreão com dois estágios de mirante, uma espécie de “torre de ménage” à francesa.

    O pavimento térreo possui quatro entradas: uma nobre, uma mais íntima e duas de serviço.  A entrada principal caracteriza-se pela forma de rotunda, sob o torreão, e é precedida de lances circulares de três degraus em cantaria.

    Compõem o ambiente colunas dispostas em duplas.


    O portão de entrada,  ricamente trabalhado em motivos art-nouveau em forma de borboleta, leva a um pequeno hall, que se liga, à esquerda, a uma sala; à frente, ao vestíbulo, e à direita, ao escritório.

    Chama a atenção o alto nível dos materiais de acabamento nesses espaços: cristais bisotados, boissérie, forros e ornatos em estuque.

    O vestíbulo é o grande espaço de distribuição entre os pavimentos.  Possui uma escada em forma de “U”, de madeira.

    Um vitral, de gosto romântico, faz pano de fundo à escadaria.

    Escadaria. Foto de Eliane Carvalho.

    Os lavabos nos patamares da escada, aproveitando o desvão dos pisos ainda possuem suas paredes revestidas com cerâmica vitrificada.

    O segundo pavimento é o andar nobre. Aqui estão as salas de visitas ladeadas por varandas, conhecidas como “miradores”: duas retangulares e, sob o torreão, uma poligonal.

    Na saleta encontramos uma portada, de ligação ao vestíbulo, com um trabalho de fino gosto contendo estátuas art-nouveau; à sua frente, ligando a um balcão sacado, encontramos uma ampla esquadria côncava de madeira com cristais bisotados, conferindo ao ambiente um efeito de movimentação.

    As paredes e os tetos são ornamentados com estuque, em motivos diversos.

    A cobertura do prédio é de telhas francesas com beirais de telhas canal.  A torre tem cobertura de ardósia.

    Alguns elementos que merecem destaque na edificação:

    – O gradil do jardim, com um decorativismo art-nouveau e o exuberante portão em forma de borboleta;

    – As mísulas de sustentação da varanda da entrada de serviço, voltada para a Praia do Flamengo, que apresenta bela decoração antropomórfica;

    – Rostos femininos na fachada;

    – Cabeças felinas nos cantos da fachada;

    – Os gradís do andar nobre, estilizando abelhas;

    – Estuques com figuras humanas, representando festas dionisíacas e motivos pagãos;

    – Um único azulejo, com paisagem holandesa, locado nas paredes que circundam o torreão;

    – Os azulejos que formam um barrado localizado nas fachadas, uma voltada para a Rua Dois de Dezembro e a outra posterior;

    – O revestimento externo, em placas de pó-de-pedra com coloração amarelada.

    O Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, no Castelinho do Flamengo, está aberto ao público das terças às sextas-feiras, das 10h às 20h, e nos sábados e domingos, das 10h às 18h.   Permanece fechado nas segundas-feiras.

    Além de várias atividades permanentes, tais como o acesso à midiateca, periodicamente o Castelinho é também palco de exposições.

    No dia 15 de maio de 2010, fomos caminhar no Aterro e admirar mais uma vez o Castelinho.  E lá estava uma turma de alunos de arquitetura visitando o magnífico monumento. Ao regressar a Brasília, perguntei sobre o(s) estilo(s) da edificação ao Prof. Pedro Paulo Palazzo;  ele respondeu: eclético vitoriano com influência do estilo chalet e neo-românico.

 

2 responses to “O Castelo do Flamengo – Centro Oduvaldo Vianna Filho” RSS icon

  • Muito interessante ler detalhes destas edificações históricas, antigas. Aqui em Brasília os marcos históricos são muito recentes e modernos, distantes daquela serralheria tão rica, dos rococós, etc.
    Bjo Vera

  • Obrigada, Marly. Em Brasília, o patrimônio que me emociona é o céu e esse horizonte que parece não ter fim.
    Bjo,


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