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    Kant e o problema do gosto

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    abril 13th, 2008VeraReflexões

    Immanuel Kant nasceu em 1724, em Koenigsberg (Prússia Oriental). De família humilde, estudou, graduou-se e tornou-se professor da Universidade de sua cidade. Descrito como um pequeno homem, corcunda e desengonçado, e de vida extremamente metódica, foi em verdade, um revolucionário, que influenciou o pensamento moderno tanto quanto Sócrates o pensamento antigo.

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    Caspar David Friedrich. Wanderer above the Sea of Fog,1818; Oil on canvas.

    “Não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar.”
    Kant

    Kant estudou profundamente os filósofos racionalistas como Descartes e Spinoza, e os empíricos como Locke, Berkeley e Hume. Conforme os racionalistas, a base do conhecimento humano encontra-se na razão. Já os empiristas identificam na percepção ou nas impressões dos sentidos, os dados essenciais para a compreensão do mundo. Considerou ambas perspectivas e mostrou-nos que o que vemos em nosso ambiente terrestre não nos é dado exclusivamente por intermédio de nossos sentidos; mas antes, muito do que nós percebemos como estando “lá fora” não tem, realmente, a sua fonte no lado “de fora” ; sua fonte reside na maneira pela qual nós vemos naturalmente e entendemos a nossa experiência.

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    The Cross on the Mountain. Caspar David Friedrich, autor desta obra, era o pintor preferido por Kant.

    Sua maior contribuição para a filosofia foi a distinção que estabeleceu entre as “coisas em si” e as “coisas para nós”. O homem, para Kant, é incapaz de saber com certeza como são as “coisas em si”; pode apenas saber como “se mostram” a ele, ou como serão percebidas pela razão humana.
    Antes de Kant e sua Crítica da Razão Pura, os homens acreditavam que o mundo natural seria o mesmo houvesse alguém observando-o ou não. Hume aperfeiçoou a filosofia da percepção ao máximo limite e preparou o campo para Kant desenvolver sua revolução para compreender o mundo, ao reconhecer que a realidade não é um dado exterior ao qual o intelecto deve se conformar, mas ao contrário, o mundo dos fenômenos só existe na medida em que “aparece” para nós e, portanto, de certa forma participamos da sua construção.

    “…o primeiro Copérnico eliminou a crença humana de que ele e a sua terra eram o centro de toda a criação, deixando o homem bem reduzido no meio da ciranda dos astros; o segundo Copérnico (Kant) libertou o homem da opressiva tirania de um cosmos cego e deu-lhe um novo centro: ele mesmo. As aventuras do coração humano já não seriam a brincadeira de deuses soberanos para além do cosmos, ou o joguete das leis desse mesmo cosmos; a nova aventura do homem era o homem.” (Hanna,1972)

    Kant conciliou as leis que regem o cosmos e a percepção humana de tais fenômenos através de estruturas e conceitos que constróem o mundo e coisas em um tempo e espaço.
    Tempo e suas possibilidades: sucessão e simultaneidade…Espaço – justaposição ou separação, pré-existem às coisas. Sem tempo e espaço as coisas não aparecem.
    Da mesma forma, os objetos só existem em função de um sujeito que os capta e percebe.

    O gosto como problema

    O problema do gosto deve ser entendido e percebido como algo diferente daquilo que é simplesmente agradável. Preocupa-se com uma larga aceitação, mas que não obedeça a regras e princípios. O gosto é, para Kant, a “faculdade de julgar o belo”, mas sem formular tal julgamento. O indivíduo sente e vive prazer ou aversão de forma totalmente intuitiva. “Juízo de gosto consiste precisamente em dizer que uma coisa é bela apenas com relação à qualidade pela qual ela se adapta ao nosso modo de assimilá-la” (Kant)
    A formação geral do julgamento do belo acontece para Kant, em quatro momentos.
    Primeiro momento: –Gosto é a faculdade de apreciar um objeto ou um modo de representação através de um prazer ou aversão, independentemente de qualquer interesse. O objeto de tal prazer é chamado belo.
    Segundo momento: –Belo é aquilo que, independente de um conceito, agrada universalmente.
    Terceiro momento: –Belo é a forma da finalidade em um objeto, mas na medida em que ele é percebido independentemente da representação de um fim, ou “deve ter uma finalidade sem objetivo determinado”(Teles,p.92).
    Quarto momento: –Belo é aquilo que, independente de um conceito, é conhecível como prazer necessário, isto é, atende a necessidades superiores das pessoas.
    Em sua Crítica do Julgamento, diz Kant: o gênio é a disposição mental inata (ingenium) através da qual a natureza governa a arte. Talento para produzir sem regras definidas. Algo que não se aprende por meio de regras, com a originalidade como prerrogativa.
    Com Kant,a beleza é necessariamente relacionada à arte. Tanto que a natureza só é bela quando possui a aparência da arte.
    No século XX, o belo é um dos atributos da arte, assim como o feio ou o trágico. E Kant, com sua forma romântica de pensar a arte, já não nos poderia auxiliar a entendê-la.

    Bibliografia :

    HANNA, Thomas. Corpos em revolta. Rio de Janeiro: Edições MM, 1970.

    SANTAELLA, Lúcia. Estética de Platão a Peirce. São Paulo: Experimento,1994.

    GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Cia das Letras.1995.

    TELES, Antônio X. Introdução ao estudo de filosofia. São Paulo: Ática, 1986.

    OSBORNE, Harold. A apreciação da arte. São Paulo: Cultrix,1978.

    LACOSTE, Jean. A filosofia da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.

    Véra Regina de Oliveira
    Brasília(DF), 15 de Setembro de 1998

 

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